Resenha

Coma Of Souls

Álbum de Kreator

1990

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

04/02/2020



Evoluindo

A Alemanha também foi berço de metal pesado e concebeu bandas que deixaram discos clássicos na história da música.

O Kreator não seria diferente, banda que vinha da linhagem Thrash Metal, pesada e ríspida. O grupo vinha agora com o guitarrista (ex-Sodom) Frankie Blackfire - que hoje novamente está no Sodom -, e do mais, trazia aqui o line-up de sempre; Ventor (bateria), Rob (baixo) e Mille (guitarras e vocal), já que Ventor não cantava mais desde o terceiro disco da banda, denominado de "Terrible Certainty", que aliás é um dos discos mais aclamados da fase antiga do grupo. 

Em "Coma of Souls" a coisa não seria diferente, e sim evolutiva, a banda aqui, destilava Thrash, mas com competência melhor desenvolvida, já que as linhas de baixo, riffs de guitarras e os compassos de bateria, soavam muito mais técnicos e bem compostos. 

O disco ganhou espaço rápido, pois a banda vinha de um álbum altamente conceituado entre os fãs o mega clássico "Extreme Aggression". 

O disco compreende em dez faixas, mas, por assim dizer, nem todas são perfeitas, algumas são mais complexas e outras mais ágeis. Também a banda nessa fase deixa um pouco de lado o sistema "progressivo" nas canções, e libera a paulada em maior parte no decorrer do álbum.

Randy Burns (mestre de produção de bandas de metal pesado), colocou a mão na massa e trouxe o Kreator para os anos 90, mas mantendo aquele feeling dos discos passados. A bateria soa limpa, o que se percebe na audição, minuciosamente em cada ação de Ventor. As guitarras ficaram mais sólidas e com uma timbragem moderna, e assim, o baixo acompanha o mesmo segmento. No quesito voz, Mille ainda aqui manteve sua fúria, com drives poderosos e urros auxiliados por letras totalmente imponentes, fortes no sentido puro da palavra. 

Com o lançamento em 1990, mais precisamente em 6 de novembro, a banda começou a tour logo depois, do que viria a ser o último suspiro metálico - real - do grupo, por anos a fio. A banda veio ao Brasil pela primeira vez e ainda era vista como baluarte do Thrash alemão. 

Esse álbum marca o quinto da carreira e, se compararmos com os dois primeiros da banda, a evolução é nítida e brutal, deixando assim qualquer fã surpreso com a essência imposta em "Coma of Souls".

O disco traz temas perfeitos e assim que começa "When the Sun Burns Red", o ouvinte já pressente o que vem a seguir. a faixa título "Coma of Souls" é um deleite com seus riffs e bumbos de bateria fuzilando entre vocais furiosos. "People of the Lie" busca aquele som com riff pegajoso e uma batida firme centrada marcando como um martelo; direto. "World Beyond", curta e uma porrada, mostra já aqui um diferencial em uma nova direção, "Terror Zone" também mantém essa nova linha musical, as melodias, riffs e andamentos variam dentro da faixa, indo em um ápice forte e fulminante, com vocais agressivos e um apanhado veloz e perfeito - uma das melhores faixas não somente do disco, mas como do grupo. E a bolacha continua dando frutos, "Agents of Brutality" e "Material World Paranoia" são mais longas, têm algum complemento mais moderno e ainda assim soam como Kreator, realmente muito boas. Talvez em "Twisted Urges" a coisa não seja tão perfeita quanto o apresentado até ela, mas ainda a música mostra aquele padrão pesado e de faixa de menor duração, "Hidden Dictator" funciona e muito bem, com uma letra bem forte e interessante ao mesmo tempo, transportando o ouvinte para a paulada final, "Mental Slavery", que deixa aquele tom de última linha musical cru do Kreator; um final digno.

Na arte, o mascote do grupo volta aparecer e com aquele ar sombrio em um consenso direto com as letras o título do long play. 

A banda acabou lançando na divulgação um vídeo - naquele momento em VHS -, como se fosse uma estória baseada entre os clipes e assim por diante. Bem macabro, por sinal.

Na turnê, além de virem para cá, rodaram o mundo, levando mais puro metal e diga-se que foi essa turnê a última carga expressiva e metálica do grupo. Daqui em diante eles mudaram e muito, no disco seguinte fizeram algo ainda bem construído, mas enfim, depois a coisa ficou dos avessos; demorando para os alemães voltarem com a pegada da fase inicial do grupo. 

Eu recomendo esse disco, ele acaba sendo uma surpresa grata e satisfatória, a união do metal com uma evolução e produção limpa, o que de certo tornou mais acessível e audível o trabalho do grupo. 

Comprei o vinil quando saiu por aqui, já que o antecessor demorou a chegar em versão brasileira, mas enfim, esse soava e ainda soa - creio eu - em um apanhado clássico e furioso de Thrash e com muito bom gosto. Ao contrário do debute do grupo, esse eu ainda ouço e com muito prazer.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Coma Of Souls

Álbum disponível na discografia de: Kreator

Ano: 1990

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,71 - 7 votos

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