Resenha

Metal Church

Álbum de Metal Church

1984

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

18/01/2020



Bem-vindo à Igreja do Metal!

Conheci essa lendária banda através de algumas fitas que ganhei. Dentre essas estava sobre a poeira um item com duas bandas, lado A - sob o nome de Liege Lord e no B - um tal de Metal Church.
Gostei das duas, Liege Lord é um grupo interessante, ainda mais se tratando do debut Freedom's Rise (1985), entretanto foi o Metal Church que trouxe algo especial.
Era uma forma diferente de heavy metal, pegava elementos thrash, só que não era exatamente o que o som garantia, pois a cadencia ainda permeava, ainda que fosse um tanto rápido e ríspido para o metal tradicional. O cantor conhecido como David Wayne era detentor de uma voz potente e rasgada, puxando nos médios agudos, e o instrumental mesclava dedilhados e solos magníficos, batendo como um mantra demoníaco e ao mesmo tempo abençoado, a benção do padre da paróquia metal.
Evidente que das "zilhões" de bandas pertencentes ao reino, o Metal Church se destacava, uma espécie de alinhamento planetário de uma época magica, copiado até hoje e jamais igualado.
O Metal Church teve que vender 70.000 cópias do álbum por conta própria antes de assinar com a Elektra. De acordo com David Wayne, James Hetfield e Lars Ulrich do Metallica pediram para a Elektra assinar com eles antes que algum outro selo fizesse isso.

O bolachão é consistente, uma massa sonora para atordoar os ouvidos, porem, deixo considerações para quatro faixas consideradas imperdíveis. Uma delas a abertura com Beyond The Black - dedilhado ao inicio com vocais cavernosos narrando o fim de uma guerra e o seu rastro de destruição. A continuação volta para o inicio da saga sangrenta dos soldados perdendo a vida em batalha. O instrumental assim como a estória, segue por altos e baixos, rápidos como bala de canhão e por ora cadenciado quando necessário. Nos solos havia uma estrutura categórica oriunda da escola neo clássica de Uli Jon Roth, com melodias de encaixe perfeito e fácil assimilação.

Sem dar folego, a faixa título vem em seguida, numa sonoplastia conjunta como barulhos de vento, ou seja, o fim de uma guerra e o início de uma sociedade secreta ou igreja do metal. Lá os escolhidos estariam livres dos dogmas centenários da velha cruz, era a guitarra cortante do Metal Church chamando para seu tempo e templo. Os músicos dão um show em seus instrumentos, entretanto, o mais instigante e proeminente é a voz de Wayne, coisa de quem tem o dom.

Gods Of Wrath tem um inicio mais calmo, com o contrabaixo fazendo boas contra melodias sobre os dedilhados e os vocais tranquilos, quando do nada ... eis que surge um berro de Wayne !, e as coisas retomam seu lugar com mais agressividade. A bateria possuí um timbre maravilhoso de caixa, com batidas na medida exata em mescla com viradas. O restante segue entre solos e mais solos, um melhor que o outro, intercalando a velocidade dos ritmos.

Com Hitman voltamos ao speed, agora numa toada só de porradaria. Tudo acima da média, e a gente conta o tempo para a chegada do refrão, um dos melhores do Metal Church. A letra não fica por menos, de certa forma pesada e hilária. Um matador profissional avisa um cidadão que sua esposa o traí, e que ele tem a arma certa para concluir o serviço e matar a sua esposa e o amante, prometendo ao traído que ninguém descobrirá o autor desde que o salário seja pago, senão todos morrem.

Fechando com outra cacetada, temos um cover para Highway Star do Deep Purple. Thrash em que eles aceleram tudo sem descartar o padrão original, com o ponto positivo de mudarem sob forma criativa a parte dos solos elaborados por Ritchie Blackmore.
Parecia impossível superar o debut, no entanto, o segundo álbum intitulado The Dark, se não foi melhor, conseguiu igualar e colocar pelo menos meia dúzia de clássicos nas costas. Após essa dobradinha imbatível dos primórdios, o Metal Church ainda lançou bons discos, mas sem a mesma magia. Até porque, David Wayne saiu por volta de 1988 e só retornou em 1998 para o disco Masterpeace, e infelizmente veio a falecer em 2005.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Metal Church

Álbum disponível na discografia de: Metal Church

Ano: 1984

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,67 - 6 votos

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  • 01
    nov, 2018

    Excelente início

    User Photo Fábio Arthur

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