Resenha

Brother Where You Bound

Álbum de Supertramp

1985

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

22/12/2019



O Primeiro album sem Roger Hodgson

Após o lançamento de ‘Famous Last World” ocorreu o que muitos já esperavam: Incessantes brigas e disputas de egos,  acabaram culminando com a saída de Roger Hodgson do Supertramp, ocorrendo uma dos maiores rachas da história da música dos anos 80. 

Com seu afastamento, coube ao líder, pianista e vocalista Rick Davies seguir em frente ao lado de John Helliwell (saxofone), Dougie Thompson (Bass) e Bob Siebenberg (Bateria), mantendo firma a chama do conjunto. Lógico que a saida de Hodgson trouxe mudanças na sonoridade do grupo, afinal, o músico era um dos mais prolíficos compositores ao lado de Davies. 

Mas antes de entrarmos nesse mérito, é importante destacar que todas as bandas que iniciaram nos anos 70 estavam revendo conceitos e se adequando a década seguinte. Grupos com sonoridade muito mais progressiva como Yes, Genesis, Emerson, Lake e Palmer e muitos outros mudaram radicalmente seu som, partindo para um estilo mais comercial e pop. Deste modo, é injusto afirmar que as mudanças  na sonoridade do grupo se deram unicamente pela saída de Roger.

O fato é que Rick vinha compondo desde a saída de Roger em 1983 e sua maior dificuldade foi a falta da guitarra utilizada por este ultimo.  Conversando com os membros remanescentes, comentou que precisaria de um bom guitarrista para participar do álbum, “alguém no nível de David Gilmour” teria dito ele.

Foi então que Jordan Harris, executivo da gravadora, sugeriu o próprio Gilmour para participar, uma vez que o Pink Floyd estava em um hiato por conta da disputa judicial envolvendo seus integrantes remanescentes com o dissidente Roger Waters. Gilmour acabou aceitando o convite para participar do álbum, utilizando seu talento na faixa título.

Produzido por Peter Henderson e pelo próprio grupo, o disco se inicia com “Cannoball”, uma faixa pop dançante, calcada no piano de Davis, porém com todos aqueles elementos oitentistas, como bateria eletrônica teclados característicos. Realmente uma tentativa do grupo em continuar nas paradas da billboard com um hit;

A faixa seguinte, “Still in Love” é bem diferente, com sua entrada eminentemente jazzística com o sax a frente do tema até a entrada dos vocais. É uma canção bem típica do grupo;

A seguir temos “No Inbetween” e “Better Days” a primeira faixa é uma balada completamente direcionada para o piano e com um belo solo de sax, a segunda parece ter saído das sessões de gravação de “Breakfast in América” devido a sua concepção rítmica;

Mas é na faixa que dá nome ao álbum que o grupo surpreende. O Supertramp sempre teve influência do rock progressivo, principalmente nos dois primeiros discos. Mas desde “Even In Quietest Moments” que o grupo não lançava uma suíte progressiva como esta. Com mais de dezesseis minutos de duração, a canção possuí uma letra bastante atual para a época, baseada na guerra fria e indo de encontro a ideias socialistas. A inspiração de Rick veio do livro “1984” de George Orwell.

A suíte possui varias nuances rítmicas e mudanças de andamento, com uma perfeita integração entre o piano de Davies a  guitarra do convidado David Gilmour. Além dele, há outros participantes de peso, como o flautista Scott Page (Que ficaria bastante conhecido por trabalhar com Pink Floyd) e Scott Gorham (Thin Lizzy) na guitarra rítmica. Pessoalmente no caso deste último, acho que poderiam tê-lo aproveitado em outra faixa. De todo modo, Davis e cia foram bastante corajosos em inserir uma suíte como  “Brother Where You Bound” em uma época que todas as bandas buscavam hits radiofônicos. Uma volta as raízes que nem o fã mais ardoroso esperava ouvir. Certamente é a melhor canção do disco;

Para encerrar o álbum temos “Ever Open Door”, uma balada melancólica e progressiva com apenas três minutos de duração.

Musicalmente “Brother Where You Bound” é um álbum ainda mais calcado nos teclados, que fornece a concepção rítmica de todas as canções. O uso do sax como instrumento de solo foi potencializado, uma vez que apenas e belíssima faixa titulo possui guitarras. Porém, Davies compensou tal ausência com uma das melhores produções do grupo, com um som cristalino e perfeito. 

É um trabalho que, se não pode ser comparado a grande clássicos como “Crime of The Century” e “Breakfast In America”, pelo menos  não faz feio dentro da discografia do grupo ao trazer à tona uma dos temas mais progressivos já criados por Davies e sua trupe.

O disco foi lançado em maio de 1985 e sua boa aceitação acabou por dar novo fôlego aos músicos para seguirem em frente com a banda em novas turnês e novos trabalhos.


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Sobre o álbum

Brother Where You Bound

Álbum disponível na discografia de: Supertramp

Ano: 1985

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,2 - 5 votos

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