Resenha

M.E.T.A.L.

Álbum de Freedom Call

2019

CD/LP

Por: Diógenes Ferreira

Colaborador

15/12/2019



Ser ou não ser, eis a questão...

Pra quem não conhece ou não acompanha a carreira do Freedom Call, a banda é uma espécie de filhote do Gamma Ray, já que começou como um projeto paralelo na época com o então baterista do grupo, Daniel Zimmerman lançando o álbum ‘Stairway To Fairyland’ em 1999. O projeto não só seguiu em frente (completando exatos 20 anos agora), como também revelou o talento do guitarrista Sascha Gerstner, que após os dois primeiros discos da banda foi recrutado pelo Helloween para substituir na época Roland Grapow, fato esse que também chamou os holofotes para o Freedom Call. Outro fator é que ao longo da jornada e principalmente com a saída de Daniel Zimmerman depois de seis álbuns gravados, a figura central passou a ser o carismático Chris Bay, seu vocalista/guitarrista que é praticamente um clone de Kai Hansen, tanto nos vocais com timbre muito parecido, quanto na postura, visual e até fisicamente em alguns aspectos e que desde o início está no grupo. O Freedom Call passou a ser a banda de Chris Bay, ou talvez já era, mas com divisão de atenção dos outros membros citados. O fato é que embora inevitavelmente comparado com Kai, temos em Chris Bay um sujeito talentoso, que sabe compor, mesmo que seja dentro de uma fórmula já criada por Kai, mas ele sabe fazer soar na mesma qualidade de seu mentor ou figura de referência (Kai Hansen). A banda está chegando ao seu décimo álbum, intitulado simplesmente M.E.T.A.L. e curiosamente mantêm-se desde o princípio na mesma gravadora (Steamhammer/SPV), fato não muito comum no mercado em bandas já com vários anos de estrada. Portanto prestígio a banda tem frente ao seu selo e perante os seus fãs, mantendo uma carreira de regularidade.

O novo álbum inicia com “111”, uma típica faixa do chamado metal melódico, com andamentos acelerados, melodias, arranjos clássicos, com direito a ‘carry on’ no refrão, mais Gamma Ray impossível. A segunda faixa “Spirit of Daedalus” continua no Power Metal melódico com bumbos acelerados e as vocalizações de praxe. Já a faixa título vem numa linha meio Manowar, cadenciada e bradando aquele discurso de amor ao Heavy Metal, influência essa que o próprio Gamma Ray também demonstrou em alguns momentos como no álbum Powerplant por exemplo. Algumas vocalizações até de fato lembram Eric Adams nessa faixa do álbum. “The Ace of The Unicorn” traz melodias que beiram o Pop aliado ao Metal Melódico quase como o Edguy em determinada fase da carreira, mas numa temática ainda fantasiosa sobre unicórnios, fadas, etc. “Sail Away” vem com um pouco mais de pegada do Heavy Tradicional até chegar no refrão pomposo com coros épicos. “Fly With Us” é melódica naquele esquema “happy happy Helloween” do jeito que Kai Hansen também inseria no Gamma Ray. “One Step Into Wonderland” passeia entre o Hard e o Pop, daqueles que daria pra tocar nas FM’s da vida. “Days of Glory” traz novamente bumbos comendo solto e aquela áurea do Gamma Ray de sempre, já “Wheel of Time” vem mais pesada, mas ainda com coros e vocalizações típicas da banda de Kai Hansen e guitarras no mesmo esquema. “Ronin” é uma faixa também com o pé no Power Metal do Gamma Ray com mais um refrão com ‘carry on’ no meio e todos os elementos característicos, inclusive duo de guitarras melódicas. “Sole Survivor” fecha o álbum com uma intro que até lembra o Running Wild, guardada as devidas proporções é claro, porém com o refrão a la Kai & Cia.

Em resumo, não estou aqui para julgar a banda e sua proposta, mas sim para descrever sobre o que o ouvinte vai encontrar em mais um álbum do Freedom Call, cuja as características e influências permanecem as mesmas desde os primórdios. A banda nunca escondeu essa influência total de Kai Hansen e sua banda, onde talvez nem seja mesmo a intenção esconde-la, mas sim evidencia-la como faz em todos os álbuns do grupo. Originalidade você não vai encontrar e posso até fazer um paralelo aqui... Se você não se incomoda do Greta Van Fleet soar descaradamente uma cópia do Led Zeppelin, então talvez não irá se incomodar que o Freedom Call continue sendo desde seu primeiro disco literalmente um clone do Gamma Ray. Se isso é bom ou não, vai da opinião de cada um, mas confesso que a minha avaliação do Freedom Call nesse sentido é mais positiva que a do Greta Van Fleet, embora particularmente esteja classificando as duas como clones de suas respectivas influências. Falando do grupo, o Freedom Call tem músicos competentes e capacitados tecnicamente cuja a nova formação conta com Chris Bay (vocals/guitars), Lars Rettkowitz (guitars), chegando ao seu sexto álbum na banda sendo um fiel escudeiro de Chris nos últimos tempos, além de Francesco Ferraro (bass) e Tim Breideband (drums). Assim sendo, se você curte Gamma Ray, cai dentro!



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Sobre Diógenes Ferreira

Nível: Colaborador

Membro desde: 22/01/2019

"Maranhense apaixonado por música em todas as vertentes do rock e que tenta colaborar com um cenário mais digno, próspero e auto-sustentável. Editou o Hellish Zine no final dos anos 90/início de 2000, em seguida escreveu por um período para o site Whiplash. Hoje colabora no 80 Minutos."

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Sobre o álbum

M.E.T.A.L.

Álbum disponível na discografia de: Freedom Call

Ano: 2019

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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