Resenha

Leftoverture

Álbum de Kansas

1976

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

25/11/2019



E o Kansas atinge o topo com um clássico!

Em 1975 o grupo americano Kansas já possuía três grandes discos lançados e uma boa base de fãs que aumentava a cada dia. Mas para o grupo fazer parte do primeiro escalão das grandes bandas progressivas que assolavam o meio musical faltava um hit, um sucesso que os fizesse tocar nas grandes rádios e serem reconhecidos pela grande população. Apesar de excelentes temas, o grupo ainda não possuía este hit.

Então no final daquele ano, o grupo se dirigiu juntamente com o produtor Jeff Glixman para os estúdios “In the Country”, em Bogalusa, Louisiana, em meio a um pântano cercado por jacarés, na tentativa de se isolarem e conseguirem a tão sonhada música que os levaria às paradas.

Como nem tudo são flores, o vocalista, tecladista e compositor Steve Walsh começou a passar por um bloqueio criativo antes das gravações. Tal fato o deixou bastante angustiado e a responsabilidade por novas composições recaiu em cima do guitarrista e tecladista Kerry Livgren que compôs o álbum quase todo sozinho. Na época, completavam o time o baixista Dave Hope, o baterista Phil Ehart, o guitarrista Rich Williams e o violinista Robby Steinhardt.

E veio de Livgren a inspiração do primeiro grande hit, que abriria o petardo: "Carry on Wayward Son", cuja letra foi inspirada na parábola do filho pródigo, se transformou imediatamente no maior sucesso comercial do grupo. A canção, além de possuir um riff de guitarra diferenciado, tinha um forte apelo pop que seria utilizado nos anos seguintes no estilo denominado AOR. Apesar disso, possuía uma dinâmica de andamentos, teclados e coros típicas do rock progressivo, mostrando um certo refinamento que agradou todos os ouvintes.

Mas com certeza uma única canção não transforma um álbum em clássico. O disco segue com "The Wall", uma balada progressiva e extremamente melódica. O vocal passional de Walsh se encaixa perfeitamente na canção que ainda tem um colorido especial pelo uso do violino.

Em  "What's on My Mind"  o grupo flerta com o hard rock setentista, com bons vocais que remetem novamente ao AOR, e o riff de guitarra comandando a canção. Vale ressaltar o excelente trabalho da cozinha Hope / Ehart.

O prog rock retorna em "Miracles Out of Nowhere", uma canção que começa acústica, com violões e violino a frente do tema que vai crescendo lentamente, com um belíssimo trabalho de vocal. Os teclados e hammonds vão aparecendo e se integrando na canção de maneira primorosa. Mais um tema irrepreensível, com um final mais dinâmico e rápido.

"Opus Insert" engana com sua introdução carregada de teclados etéreos. Após a entrada da voz de Walsh, a música fica mais acelerada, comandada pelos vocais que dita à dinâmica da canção, que parece ter sido feita sob medida para o vocalista se sobressair com sua voz afinadíssima.

"Questions of My Childhood"  já começa comandada por teclados em profusão, com lindos solos e camas sustentando a canção. O contraponto é feito pelo violino de Steinhardt, que se encaixa perfeitamente tanto nas bases como nos solos.

Em "Cheyenne Anthem" o grupo homenageia o povo indígena que leva o nome da faixa. É outra balada progressiva, que tal como “The Wall” tem passagens melódicas de violões, teclados e piano elétrico que sempre acompanha os vocais carregados de técnica e emoção.  Possui uma grandiloquência característica de temas progressivos, com muitas variações de andamento e camadas de hammonds

Coube a "Magnum Opus" encerrar este clássico do grupo. É um tema longo,  quase completamente instrumental, criado por todos os membros do grupo. Uma canção progressiva, com diferentes passagens melódicas, mudanças de andamento, e construção de ritmos variados. Além da qualidade, o tema serve para mostrar como o grupo se mostrava coeso e integrado.

Com uma belíssima capa, “Leftoverture	“, chegou as lojas em outubro de 1976, e catapultou o grupo ao primeiro time de bandas progressivas, principalmente pela citada "Carry on Wayward Son" , que foi lançada com single, atingindo a 11ª nos Estados Unidos, a 5ª colocação no Canadá e ainda a 51ª no Reino Unido, superando a casa de 1,5 milhão de cópias vendidas e deixando os próprios músicos surpresos pela boa repercussão.

Com o sucesso, o grupo investiria mais naquela mistura de hard e AOR, deixando lentamente de lado sua influência progressiva e conseguindo novos sucessos. Mas isso é assunto pra outro disco.


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Sobre o álbum

Leftoverture

Álbum disponível na discografia de: Kansas

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,92 - 6 votos

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    "Miracles Out Of Nowhere", o som milagroso e progressivo, sem ser impositivo e dogmático, da banda Kansas em 1976

    User Photo Alex Machado (alexmachad)

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