Resenha

St. Anger

Álbum de Metallica

2003

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

22/11/2019



Em ritmo de batucada

A essa altura do campeonato o Metallica era gigante, pela discografia dos primeiros trabalhos e o mega sucesso do Álbum Negro.
Já Load e Reload foram recebidos com desconfiança, era fácil encontrar os fãs do primeiro período jogando a toalha naquela época. Na ótica dessa turma, o Metallica venderá a alma ao mainstream, e uma volta aos primórdios seria apenas forçação de barra.
O pior é que esses fãs descontentes acertaram em cheio!, St. Anger foi um retorno forçado ao sub gênero mais fiel do heavy metal. A raiva e protesto, dos agora, milionários e pais de família, não faziam tanto sentido.

A marcação cerrada e as críticas caíram justamente sobre o "mala" Lars Ulrich e seu instrumento. "Abrir" o sons das caixas em todas as faixas, foi ridículo. O timbre de lata poderia ser interessante em duas ou três canções, mas em todas ?.
Some Kinder of Monster, documentário lançado um ano depois, reflete bem o que acontecia : uma batalha de egos entre os fundadores Lars Ulrich e James Heatfield, chegando ao nível de contratar um terapeuta para conter os chiliques dos membros.
Do outro lado tínhamos o boa praça Kirk Hammett, sempre com cara de paisagem vendo as brigas infantiloides dos parceiros, com certeza o sujeito sensato do Metallica, o boa praça Robert Trujillo chegou depois da tempestade.

Em St. Anger as canções escutáveis e marcantes são justamente as primeiras, a exemplo de Frantic - aquela do TIC TIC TAC. Observando bem, percebe-se um jeitão de Tom Araya período Diabolous In Música, na parte mais agressiva cantada por James.

A faixa título é legalzinha, apesar de repetitiva, ora soando new metal, ora thrash. O pecado aqui é a bateria de Lars e a falta de um solo por Kirk Hammet em uma música de oito minutos, o pior é que ele opta por não solar no álbum todo.

O mesmo erro de St Anger incorre sobre Some Kind of Monster e Dirty Window, não só pela falta de solos, e sim riffs e atmosferas similares, ainda com o agravante do batuque de latas de tinta suvinil ser potencializado em Dirty Window, mesmo assim são canções que valem uma conferida.

Outra razoável. é a derradeira All Within My Hands, justamente porque Ulrich segura as rédeas da baqueta, tocando de forma mais "suave".

O resultado geral é uma formula manjada e sem graça em quase todas as trilhas, uma união infeliz de thrash e new metal. Assim, os principais equívocos ficam entre a já citada bateria destoando da afinação baixa, atuação fraca de James nos vocais (a pior de sua carreira), e tempo demasiado das musicas.
Do mais, temos a impressão de estarmos sendo torturados com riffs de poucas distinções, como ouvir música eletrônica moderna, não sai daquilo. O contrabaixo de Bob Rock se perde em meio ao tiroteio de Kirk e James, aparecendo somente para "dobrar" e dar peso.
É irrefutável que tudo é coagido em St. Anger, tivessem seguido a toada de Loud e Reloud ainda teríamos algo próximo ao que conhecemos por MÚSICA. Entretanto a vontade de voltar ao circuito old school para dar resposta ao fã, não foi verdadeira. Thrash metal tem que ser feito com raça, alma e espontaneidade, assim são criados os grandes feitos do sub-gênero.
Construído de forma meticulosa, sob pressão extrema e problemas de ego, o saldo é esse, um registro "xato pra baralho!", como diria o profexô Luxa.


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Sobre o álbum

St. Anger

Álbum disponível na discografia de: Metallica

Ano: 2003

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 1,92 - 12 votos

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