Resenha

Aria

Álbum de Asia

1994

CD/LP

Por: Tarcisio Lucas

Colaborador

20/11/2019



Um disco excelente e Injustiçado

Em 1994, o super conjunto ASIA lançava seu quinto disco de estúdio, intitulado “Ária”. O disco anterior, “Aqua” , havia inaugurado uma nova fase para a banda, com a entrada do vocalista e baixista John Payne.

No entanto, dois anos foram muito tempo para um grupo como esse, e logicamente tivemos a tradicional mudança de integrantes. O baterista Carl Palmer, ocupado com sua agenda junto ao ELP deu lugar ao músico Michael Sturgis, que entre outras coisas tinha em seu currículo uma tour junto ao mega sucesso pop A-HA, além de uma banda com Adrian Smith, o Pycho Motel.
Some a isso a saída – mais uma vez – do guitarrista Steve Howe, e temos o line-up complementado pelos já antigos John Payne, Al Pitrelli e Geoff Downes. 
Ou seja, entre idas e vindas, continuava sendo um super conjunto.

E mais uma vez, isso se refletiu em excelentes composições e execuções acima de qualquer suspeita.
“Aria” pega toda a sofisticação que o grupo apresentou em “Aqua” e potencializou tudo. As passagens progressivas estão ainda mais progressivas, ao passo que a verve pop está ainda mais pop. Os teclados continuam majestosos, os backing vocals precisos, e acima de tudo, como exigência que a própria banda criou para si desde seus primórdios, os refrões continuam extremamente grudentos e radiofônicos.

E, verdade seja dita: o ASIA sabe como poucos parecer simples, acessível e complexo ao mesmo tempo. Como exemplo, pegue a música “Desire”; a princípio, trata-se de uma power balada para embalar romances e namoros. Mas preste atenção mais uma vez. 
Reparou nas harmonias inusitadas, nos timbres que mudam sutilmente ao longo da composição? Nas modulações harmônicas sutis e ao mesmo tempo impactantes?
Ah, e não esqueça de ouvir o solo de “Desire” umas 20 vezes seguidas. Você não vai enjoar, confie em mim.

É isso. isso é ASIA.

Apesar de respeitar e adorar a fase inicial da banda (que inclui os 3 primeiros discos), foi na fase Jon Payne que o grupo encontrou seu som mais refinado.  

Defeitos? Logicamente que existem. 
A mesma “Desire”, lá pelo final, apresenta alguns teclados de timbre um tanto quanto duvidosos. Mas a banda tem um segredo: ela não estende esses momentos além do necessário.
É quase como se no momento da composição a banda tivesse consciência de que tal passagem poderia ser interpreta como “brega” ou exagerada, e logo eles decidem partir para outra proposta. Assim, aquilo que poderia se transformar em um contra na verdade aparece mais como um “colorido”. 
E como esses caras sabem compor!

Algumas canções de “ÁRIA” são tão fluidas que parecem que sempre estiveram por aí, sendo trabalho da banda apenas gravar o que eles já tinham feito. Chega a ser impressionante como as músicas desse disco se encaixam umas nas outras de forma orgânica e totalmente funcional, mesmo a banda se servindo de uma formula que não se afastava muito do que sucessos do pop da época faziam, no quesito “estrutura de canção”.

Curiosamente e inexplicavelmente, o álbum não foi muito bem comercialmente, rendendo uma turnê que contou com apenas 4 shows, devido à falta de interesse de empresários em promover shows do grupo, e a baixa venda de ingressos.
Muito mais que uma falha da banda, foi um reflexo do mercado fonográfico da época, que estava de olho em outras propostas dentro do rock e do metal. O AOR do grupo era considerado por si só cafona e ultrapassado, o que foi uma grande injustiça com o álbum.

A capa do disco contou novamente com um trabalho do Roger Dean, dessa vez com algo que parece uma capa rejeitada pelo YES. Eu realmente tenho certa dificuldade de associar essa capa com o material sonoro apresentado, mas independentemente disso, trata-se de uma ilustração muito bonita (sou suspeito para falar, eu adoro tudo que o Roger Dean faz!).

Aria é um disco que envelheceu maravilhosamente bem. 

Com relação à produção, é algo que impressiona até hoje em dia, de tão cristalina e bem cuidada, um primor.
E assim a banda seguiu. Em dois anos à frente, a banda lançaria “ARENA”, que fecharia o ciclo “John Payne” com algumas histórias, algumas tristes. 

Mas isso é uma outra história...


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Sobre Tarcisio Lucas

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Sobre o álbum

Aria

Álbum disponível na discografia de: Asia

Ano: 1994

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 2 votos

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