Resenha

Barrett

Álbum de Syd Barrett

1970

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

13/11/2019



Um rock mais típico e uma abordagem mais tradicional nas músicas

Para muitos o nome de Syd Barrett é sempre figurado ao lado de predicados como gênio, mito, entidade, enfim, confesso que eu sou mais pé no chão e isso já deixei inclusive claro na minha resenha do álbum de estreia do Pink Floyd aqui no site. Isso quer dizer que não admiro o artista? Claro que não, muito pelo contrário, apenas não acho suas criações algo genial como muitos acham. A loucura até pode contribuir em certas criações, mas um pouco de sanidade também ajuda e isso Syd parecia ter menos a cada dia. A produção deste segundo disco de Barrett ficou a cargo do seu substituto no Pink Floyd, David Gilmour. 

“Baby Lemonade” é a faixa que inicia o disco. Começa com um toque de guitarra de doze cordas, inicialmente é uma música ótima, mas após repetidas audições meio que faz o ouvinte perceber que apesar de boa, não tem tanto assim a cara de Syd. Uma pena, pois é inclusive uma das melhores músicas do álbum. Cativante, letras legais e um interessante trabalho de guitarra ao fundo. 

"Love Song" é uma espécie de balada divertida. Syd canta com certa ternura enquanto que em arranjos alegres a música se desenvolve. “Dominoes” é Syd no seu estado mais deprimente, gemendo sobre sua solidão através de acordes menores e violão ao contrário. Se ficasse apenas assim estaria ótimo, mas as linhas de órgão no final lhe tiraram um pouco da aura, mas ainda assim é uma boa música. 

“It Is Obvious” é uma música que não gostei, achei meio sem sintonia e Barrett parece estar enterrado atrás de efeitos de órgão que muitas vezes sobressaem a ele. “Rats” é talvez a música mais Syd Barrett de todas, apresentando o homem no seu esquizoide. Letras bizarras, aparentemente até improvisadas e uivadas em um desafino. A princípio terrivelmente audível, mas depois vemos que é fascinante a sua maneira. 

“Masie” tem um clima bem bizarro na linha de um blues, mas dentro de uma abordagem distorcida. Estranhamente lenta enquanto que Syd grita letras aleatórias, mas não posso condená-lo, afinal, parece está se divertindo em sua dimensão e isso é o que importa. “Gigolo Aunt", digamos que é a tentativa mais bem sucedida de “normalizar” o som de Barrett. Carrega um clima de um típico pop britânico do final dos anos sessenta. Essa faixa funciona muito bem no disco. 

“Waving My Arms In The Air” é mais uma baladinha do disco, soa meio monótona, possuem letras que mostram que a linha entre o fofo e o estúpido pode ser bastante tênue. No geral uma faixa inocente dentro do disco e que já tem uma ligação direta com “I Never Lied To You”, essa vai seguindo na mesma linha, só que dessa vez soando de maneira pior. 

"Wolfpack" é aquele som que posso dizer que nos coloca novamente nos trilhos. É uma música meio difícil de ouvir, caótica, o que acho uma pena, pois se fosse mais bem direcionada o trabalho de guitarra se destacaria e ouviríamos com mais clareza talvez a melhor performance do disco. “Effervescing Elephant” com seus menos de dois minutos de duração fecha o disco nos dando uma breve visão de um lado mais infantil e encantador de Barrett (até porque essa faixa foi escrita quando ele tinha somente 12 anos). Uma instrumentação perfeita e letras que não entregues em rimas inocentes. 

Syd Barrett atingiu o ouvinte com um álbum amplamente imprevisível, e isso é muito bom, porém, não tem como se fechar pra alguns problemas apresentados, o músico parece escondido em muita das partes do disco, onde seu violão está “mudo” e seus vocais parecem que foram empurrados para o fundo. Mas ainda assim, é um muito bom álbum.


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Sobre Tiago Meneses

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Sobre o álbum

Barrett

Álbum disponível na discografia de: Syd Barrett

Ano: 1970

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 2 votos

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