Resenha

The Prelude Implicit

Álbum de Kansas

2016

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

11/11/2019



O melhor disco da banda desde Point of Know Return

Imagine que você goste bastante de uma banda e ela lança um disco que apesar de não ser ruim, passa longe de trazer a mágica atingida em outros trabalhos. Pois foi o que o Kansas havia feito com o seu Somewhere To Elsewhere lançado em 2000. E com os anos passando, minha esperança de um novo disco já estava chegando ao fim, sentia que não mais haveriam discos de estúdio e eles assim como tantas outras bandas sobreviveriam apenas como uma banda cover de seus primeiros e mais gloriosos anos. Mas então que em 2016 eles lançavam o surpreendente The Prelude Implicit. 

Já vi muitas pessoas reclamarem pelo fato de vários dos membros originais da banda estarem fora, uma reclamação legítima, mas será que é pra tanto? Acho que não e por vários motivos. Convenhamos que a voz de Steve Walsh a muito tempo não é mais a mesma e o alcance de Ronnie Platt inclusive é de certa forma semelhante. Com todo respeito ao Dave Hope, ele nunca foi lá um membro tão importante assim pra banda e o Billy Greer pode contribuir muito mais para o grupo tanto como baixista como vocalista (tanto que assume os vocais em uma das faixas do disco). Dave Ragsdale pode não ser um membro origina, mas já é de longa data, inclusive substituindo o grande Robby Steinhardt. Enfim, com esse pessoal, mais Zak Rizvi e David Manion, além dos dois membros originais restantes, Rich Williams e Phil Ehart, eles conseguiram soar extremamente bem. Se você tem um bom conhecimento da discografia do Kansas, The Prelude Implicit pode soar ainda mais interessante, tendo em vista que o disco meio que visita a história da banda, onde cada música representa uma época diferente. 

“With this Heart” é a faixa que abre o disco e de certa forma me faz lembrar um pouco de Song for America, com suas músicas que fluem de maneira bastante suave com base em seções de violino extremamente bem direcionadas. 

“Visibility Zero” é uma faixa em que podemos dizer que se trata de uma homenagem aos sons mais pesados como “Carry on my Wayward Son”, porém, com certa inclinação ao rock de arena. Algo notório nessa faixa é ver Dave Ragsdale saindo da sua zona de conforto e sendo mais agressivo em seu violino. 

“The Unsung Heroes” eu considero um dos melhores momentos do álbum. Possui uma mistura de balada calcada em um blues repleto de nostalgia com uma pompa que já é característica da banda, fazendo assim uma recriação do espírito dos anos 70. 

“Rhythm In The Spirit” marca uma virada em relação ao som mostrado até agora. Lembra o início de algumas faixas do disco Leftoverture por conta da sua pompa, mas em seguida teclado e violino na pegada do Point of Know Return acabam dando um ar mais moderno, digamos assim, com uma ênfase maior no blues e no rock. Achei bem interessante essa mistura, tanto que acho que a banda deveria ter explorado isso mais vezes durante a carreira. 

“Refugee” é mais um dos pontos altos do disco e em minha opinião foi um som inspirado em “Cheyenne Anthem”. A banda decide abordar aqui uma linha mais mística e nostálgica que soa encantadora do começo ao fim. Os vocais de Platt estão ótimos e muito bem apoiados principalmente pelos teclados de Manion. 

“The Voyage of Eight Eighteen” é a faixa mais longa do álbum. Basta ouvir as primeiras notas pra músicas como Opus Insert, Lamplight Symphony e Song for America me brotarem à cabeça e mesmo quando a abordagem musical muda de uma linha sinfônica pra algo mais heavy rock, tudo soa perfeitamente, como uma maquina do tempo levando a banda aos anos 70. Sem dúvida alguma a melhor faixa do álbum. 

“Camouflage” lembra um pouco “Freaks of Nature” só que mais orientado para um rock clássico do que para a música progressiva. Considero uma boa faixa, mas ainda assim, não tem como deixar de notar que é menos transcendente que as anteriores. 

“Summer” é daquele tipo de som onde encontramos o balanço perfeito entre a música artística e a comercial. Provavelmente a faixa onde mais instrumentos diferentes tenham certo destaque, órgão, violino e guitarra lideram muito bem a faixa. 

“Crowded Isolation” é a faixa que considero a mais surpreendente, pois não tem como (ao menos eu não consegui) comparar com nada que a banda havia feito. Talvez seja o som que a atual formação esteja procurando e quem sabe foque mais nele em algum novo álbum. Muitas mudanças e ótimos coros. Um som bastante diferente que funcionou muito bem com a banda. 

O lançamento oficial termina com a “Section 60” (na versão bônus tem duas músicas adicionais). Esta faixa também me remete um pouco ao disco Point of Know Return. Uma instrumental que o maior destaque vai para a linha de violino lindíssima. 

Considero facilmente o melhor disco da banda desde Point of Know Return, mostraram ter combustível pra mais alguns bons anos, espero que não usem The Prelude Implicit para demarcar o fim da sua discografia, pois desde que o ouvi pela primeira vez, fiquei curioso pelo que poderiam fazer dali em diante.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Prelude Implicit

Álbum disponível na discografia de: Kansas

Ano: 2016

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,67 - 3 votos

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Veja mais opiniões sobre The Prelude Implicit:

  • 30
    out, 2017

    Não é mais progressivo, mas segue competente

    User Photo Roberto Rillo Bíscaro

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