Resenha

Ruination

Álbum de Virgil Donati

2019

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

09/11/2019



Fusion técnico e equilibrado!

O baterista Virgil Donati  certamente tem seu lugar garantido no panteão dos grandes bateristas. Essencialmente técnico, este australiano foi construindo aos poucos seu nome no universo da música.

Começou a ficar mundialmente conhecido no inicio dos anos 2000, ao formar  o grupo  Planet X  ao lado do tecladista Derek Sherinian (ex Dream Theater) e do guitarrista shred Tony MacAlpine, onde atua até os dias de hoje. Em 2005, integrou o Soul Sirkus, grupo de hard rock que contava com feras como: Jeff Scott Soto, Neal Schon, e Marco Mendoza.  Tantos projetos chamou a atenção de Steve Vai que inseriu o músico em sua banda para gravar seu primeiro DVD e ainda o contratou como artista de sua gravadora na época, a Favored Nations.
Além de Steve, Virgil trabalhou com inúmeros outros músicos e guitarristas, como Scott Henderson e o brasileiro Kiko Loureiro, apenas para citar dois nomes.

Paralelamente a tantos projetos, o músico mantém uma ocasional, porém sólida carreira solo, e lança no final de 2019 “Ruination”, seu quinto disco solo. Eu havia ouvido um de seus trabalhos há alguns anos e nem me lembrava direito da sonoridade. Por esse motivo, quando este disco veio até minhas mão fiquei ressabiado, pois aquela coisa, CD de baixista e baterista, costuma ser apenas um pretexto pro músico principal se exibir, desvirtuando o verdadeiro propósito do instrumento e criando uma sonoridade que interessa  somente a estudantes de música.
Porém não é o que acontece neste trabalho. Donati é dono de uma técnica monstruosa e obviamente isso é mostrado no álbum. Mas ocorre de uma maneira relevante e diferenciada, sem exibicionismos gratuitos. Um bom exemplo é o trabalho que o baterista desenvolve com o bumbo duplo, utilizando a técnica como mais um elemento musical e não de maneira uniforme e cansativa como acontece com muitos bateristas de Power e thrash metal. 

Virgil e seu grupo desconstroem os temas de maneira muito eficiente, optando por realizar um fusion ora pesado, ora sincopado, sempre com mudanças repentinas de andamento e a intervenções certeiras do grupo, lembrando muito os trabalhos do falecido guitarrista Alan Holdsworth nos temas instrumentais.

Um bom exemplo é a faixa de abertura, “Castle Bastards”, e ‘The Crack”. Temas calcados em riffs de guitarra, mas com ótimas intervenções de teclado, muito bem colocadas por Chris Clarke. O guitarrista brasileiro André Nieri, se adaptou bem a sonoridade do disco, emulando um estilo que mescla Steve Vai com o citado Holdsworth nos solos e soando como um Tony Iommy mais light na elaboração de Riffs.

Completa o time outro brasileiro, o baixista Junior Braguinha, que consegue manter uma base firme pro dono da bola, mas não deixa de mostrar sua técnica como acontece em “The Quiet Place”e na curta “Out Of The Dirt”. Em seu estilo, é possível perceber ecos dos mestres Jaco Pastorius e Gary Wills (Tribal Tech). Além dos músicos citados, há participações de outros dez músicos convidados, se alternando entre guitarristas, baixistas e tecladistas. 

Não vejo necessidade de falar sobre cada um dos onze temas do álbum que, apesar de tantos convidados, segue bastante linear. Mas vale citar a faixa título e “Back to Me”, ambas com os vocais do guitarrista Irwin Thomas e que destoam bastante da proposta das faixas instrumentais, “Eleven Pt .2” com seu piano minimalista, e um andamento que lembra muito o Tribal Tech, e a longa e quase progressiva “The last Night That I Lived”, também cantada por Thomas.

Com o ego domado, Virgil Donati lança um dos melhores álbuns de Fusion do ano, um trabalho sem qualquer viés comercial, feito para quem gosta de música de qualidade.


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Sobre o álbum

Ruination

Álbum disponível na discografia de: Virgil Donati

Ano: 2019

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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