Resenha

Ashes Are Burning

Álbum de Renaissance

1973

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

21/10/2019



Ashes are Burning é muito bem nítido e articulado

Em relação ao seu antecessor a diferença é bem marcante, enquanto Prologue foi basicamente um dueto, Ashes are Burning mostra um Renaissance como uma banda mais sólida ao adicionar as guitarras de Michael Dunford enquanto que Camp e Sullivan desenvolvem uma cozinha menos discreta e mais protagonista. O Renaissance, mais do que qualquer outra banda, em minha opinião e que já deixei claro em outra resenha de disco da banda, é a essência do prog sinfônico, nenhuma outra leva essa definição mais ao pé da letra do que essa banda.  E aqui o ouvinte não vai encontrar nada menos do que todas as características que fazem dessa banda algo excelente. 

"Can you Understand" é a faixa que inicia o álbum. Renaissance sempre foi conhecida como uma banda que consegue soar melhor ao vivo que em estúdio, mas aqui é um dos raros casos que isso não ocorre, prefiro essa versão de estúdio. A introdução nos apresenta uma banda completa criando uma música encorpada, não apenas piano e vocais, e mesmo quando Tout e Haslam são transcendentais, o desempenho de Dunford é simplesmente brilhante, com uma seção rítmica sólida para apoiar a banda. Também é importante notar o coro polifônico para apoiar a voz fantástica de Annie. Desde o primeiro momento, podemos notar uma grande melhoria, o que já era ótimo está melhor ainda. 

“Let it Grow” é uma música injustamente subestimada e que a banda quase não usa em shows. Novamente a interação entre vocais e piano é notável, mas agora você tem um baixo e uma bateria muito fortes, mesmo quando a banda ainda é basicamente melódica. Os acordes mais para o final da música faz com que criem um estilo sinfônico/folk único.

"On the Frontier" começa através de um violão solitário e um coro  que mescla masculino e feminino e que logo se junta ao resto da banda. Essa é outra música que eu não ouvi em muitas gravações ao vivo, mas trata-se de uma forte peça progressiva com uma pitada de psicodelia além de soar como um rock mais direto. 

Normalmente ouço um álbum do começo ao fim, mas quando chega a vez de "Carpet of the Sun" eu devo admitir que eu sou aplacado por uma vontade absurda de repeti-lo duas ou três vezes devido à sua incrível beleza e performance magnífica. Novamente Annie Haslam é a estrela, mas sem os arranjos perfeitos e o desempenho da banda a faixa não seria a mesma. Um defeito? Talvez seja muito curta, mas entendo a ideia de deixar o ouvinte com um gostinho de quero mais, ao menos comigo funcionou bastante. 

Se há algo que eu amo em "At the Harbour", é o dramático contraste entre a introdução sombria e forte do piano (cortesia de John Tout) e a balada celta folk totalmente acústica e doce, realizada principalmente por Annie. É como assistir o encontro de dois mundos diferentes e opostos que apenas músicos brilhantes podem fazer funcionar.

“Ashes are Burning” é a faixa que encerra o álbum. A banda consegue combinar magicamente o brilho sinfônico com a suave atmosfera celta como ninguém mais fez. Já deixo uma coisa clara, não espere um típico rock progressivo com suas mudanças radicais. A música apresenta diferentes modos ligados um ao outro com grande destreza. A adição de Andy Powell na guitarra produz um som diferente. Menção especial para John Camp, que apresenta uma excelente performance, acrescentando a força necessária quando nos momentos certos e, claro, o final incrivelmente dramático de órgão, guitarra e bateria que sempre me causa arrepios e faz meu coração acelerar. 

Não acho que seja necessário eu ficar aqui com considerações finais que não passariam de chuvas no molhado. É uma obra-prima essencial? Sim. Merece alguma nota menor que 5? Jamais.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Ashes Are Burning

Álbum disponível na discografia de: Renaissance

Ano: 1973

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,8 - 5 votos

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