Resenha

Take Cover

Álbum de Queensryche

2007

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

27/08/2019



Um tributo "meia boca"

Existem três caminhos para fazer um disco homenageando suas bandas preferidas. O primeiro é ser fiel ao arranjo primário, apenas com sutis variações. O segundo passo é criar algo totalmente diferente, mantendo apenas o fio harmônico que tece as músicas. E o terceiro é mesclar as duas opções, ou seja, exatamente o que temos nesse trampo do Queensryche, ainda que penda um pouco para lado conservador da moeda. Sendo assim vamos para as faixas em questão:

Em "Welcome to Machine" (Pink Floyd) a aura sombria e progressiva, desaparece juntamente com a introdução crescente e enigmática da obra de 1975. Os vocais de Geoff Tate não funcionam da forma esperada, matando a atmosfera da música em função do instrumental adaptado ao heavy. Pelo menos tentaram algo diferente.

"Heaven on Their Minds" da opera Jesus Christ Superstar, não tem grandes invenções por parte de Tate, e o instrumental puxou para si a responsabilidade, colocando 100% do DNA Queensryche sobre a mesma.

Um dos grandes feitos de Take Cover foi assassinar "Almost Cut My Hair" do lendário quarteto Crosby, Stills, Nash & Young. Entendam bem, a voz de Geoff Tate é uma das melhores do hard / metal, ninguém bota isso a prova. Porem, capota na curva quando sai dessa vertente. Seu timbre caricato ao heavy metal não consegue desenvolver bem em outros estilos. O argumento usado acima, vale para "For What It's Worth" (Buffalo Springfield), outra bola fora.

"For the Love of Money" - The O'Jays (aquela da abertura do Aprendiz) funciona bem com partes de sax e a modernidade aplicada aos arranjos. E vale pela coragem de tocar algo do The O'Jays. Convenhamos que a história e som dos grupos são dois mundos completamente diferentes.

"Innuendo" (Queen) não passa nem perto da matriz, mas não compromete. Bons solos, instrumental bem acabado e atuação regular dos vocais.

Qualquer vocalista que se atreva a cantar "Neon Knights" (Black Sabbath) já merece respeito. O contratempo aqui é recriar a mesma trilha sem mudar uma virgula sequer. Ora, com todo respeito ao Queensryche, se for para ouvir algo similar, é óbvio que fico com a turma de Iommy, Dio e cia.

"Synchronicity II" (The Police) fica em bom nível para ganhar nota 7, enquanto "Red Rain" supera a primogênita com pesados riffs e um instrumental com andamento acelerado e menos sonolento que a peça de Peter Gabriel. Ponto para o Queensryche !.

Tive que ouvir "Odissea" (Salvatore Licitra) para concluir a resenha, fazendo um esforço danado para não pegar no sono. Esse lance de "Tenor", definitivamente não é minha praia. Sendo assim, comparando as duas, fico com as notas do Queensryche.

"Bullet the Blue Sky" (U2) fecha a cortina com uma versão estendida e ao vivo. Acertaram em cheio  deixando o som flutuante e semi vago, como pede os grandes clássicos do U2. Priorizando a seção rítmica ao deixar a guitarra somente em licks de efeitos bem sutis, na longa parte intermediária. Ficou tão boa que os dez minutos passam voando.

Enfim, é um registro que vale por três ou quatro faixas. Quem é colecionador e fã do Queensryche pode comprar tranquilamente. Aos que não acompanham fielmente, convém economizar para ir atrás dos discos que contem as canções homenageadas.


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

Take Cover

Álbum disponível na discografia de: Queensryche

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,75 - 4 votos

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