Resenha

Van Halen

Álbum de Van Halen

1978

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

26/08/2019



Van Halen I: Uma erupção redefinindo o panorama musical

Desde o inicio dos anos 70 todos os aspirantes a guitarristas no mundo tinham como base o talento revolucionário de Hendrix. Mesmo com sua morte precoce, o músico deixou sua marca na história do instrumento, soando técnico virtuoso e revolucionário. Vários grandes mestres surgiram depois de sua partida, mas nenhum havia causado tão grande impacto como Jimi...até o surgimento de Eddie Van Halen.

O grupo que leva seu sobrenome foi formado em 1972,  mas somente em 1976 foram reconhecidos por ninguém menos que Gene Simmons (Kiss). O baixista linguarudo os incentivou a gravar uma fita demo, que no fim das contas acabou não dando em nada. No ano seguinte foi a vez do produtor Ted Templeman se maravilhar com o som do grupo e conseguir um contrato com a Warner Music Group.

Foi fácil pra Ted perceber o talento em estado bruto daqueles quatro músicos que compunham o grupo: Michael Anthony era um baixista seguro e imponente. Embora não tivesse uma técnica virtuosa, sabia segurar as rédeas do grupo, mantendo o ritmo funcionado e ainda fazendo vocais de apoio com eficiência. Alex Van Halen era um baterista pesado, com influência vinda da escola de John Bonham e Keith Moon. Porém, além do peso e técnica característica de seus ídolos, o músico ainda adicionava uma boa dose de groove no seu estilo, conseguindo o balanço perfeito pros temas hard da banda.

Lá na frente de posse do microfone estava David Lee Roth, um jovem atlético, com sua longa cabeleira loira, cantando como nunca e chamando as garotas da primeira fila pra se divertir a noite toda.  Desde Robert Plant não aparecia um vocalista com tanto sex appeal  no universo do rock. E comandando as guitarras o mestre Eddie Van Halen, que subverteu completamente o conceito de tocar guitarra, utilizando técnicas pouco usuais como two hands, tapping, harmônicos artificiais (aqueles ‘gritinhos” que a guitarra solta), dentre outras e tocando em uma velocidade jamais vista até então. Curiosamente  o guitarrista utilizava instrumentos caseiros, construídos por ele próprio, deixando sua sonoridade ainda mais única e pessoal.

O disco foi produzido por Templeman e gravado em apenas três semanas. Chegou as lojas com uma capa simples, trazendo apenas fotos dos quatro integrantes individualmente. Mas o som, Ah! O som era revolucionário!

“Runnin’ With The Devil” abre o petardo de maneira dinâmica mostrando o que viria pela frente: um hard pesado, técnico, por vezes cadenciado, calcado nas guitarras e com baixão estourando no peito, tudo coroado por uma  interpretação única de Dave; 

 A faixa a seguir, “Eruption” é um dos maiores solos já gravados em toda a história do rock. Eddie desfila sua complexa técnica mostrando ao mundo, uma nova maneira de utilizar o Instrumento com inserções de two hands e tapping.(técnica que consiste em usar as duas mãos no braço do instrumento como se fosse um piano). Nenhum aspirante a guitarra estava preparado para ouvir aquilo, e a faixa se tornou uma inspiração para uma geração inteira que viria depois; 

“You Really Got Me”,  cover do The Kinks aparece em uma versão  super pessoal da banda, principalmente de Dave que imprime um tom sarcástico em sua voz ao interpretar a letra. Este é um dos raros casos em que o cover soa melhor do que a versão original, a ponto de muitos acreditarem  ser um hit do grupo;

Ouvi certa vez que ninguém faz músicas com a palavra LOVE no título como o Van Halen e realmente é verdade. “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”, pode ser considerado o primeiro grande hit do grupo, com sua cozinha precisa a interpretação primorosa de Dave, que consegue colocar  sua voz alinhada com a guitarra pungente de Eddie;

“I’m The One” é pesada, mas soa malandra como a performance de Dave e tem espaço para cada integrante se sobressair com propriedade, inclusive com um pequeno arranjo vocal no final;

 “Jamie’s Cryin ‘” é um hard midi tempo típico do grupo, que se destaca pela interpretação impecável de Dave;

"Atomic Punk"  é outra canção dinâmica e festiva, com grandes licks de guitarra e bateria pesada;

“Feel Your Love Tonight” tem uma bela harmonização em forma de coro por todo o tema, e seu andamento contagiante;

“Little Dreamer” é mais cadenciada, parece ter sido harmonizada em torno do vocal principal;

Toda banda De rock que se preze nos anos 70  gravava um blues e com o Van Halen não seria diferente, o grupo trouxe  “Ice Cream Man”, da lavra  do bluseiro John Brim, gravada originalmente nos anos 50. Mas claro que a banda subverteu a canção trazendo o tema para o seu universo, inclusive com Lee Roth empunhando o violão acústico. Nem vou dizer como Eddie arrasa nos arranjos e execução;

Por fim temos “On Fire”, que tem o objetivo de encerrar o álbum em alto astral. Tem uma excelente linha de baixo e os vocais de Dave soando levemente mais rasgados como se duelasse com a guitarra de Eddie;

O disco chegou as lojas em fevereiro de 1978 e teve uma repercussão impactante em toda indústria musical americana. A técnica demonstrada por Eddie no disco e em apresentações ao vivo sacudiu o mercado, uma vez que a partir de então, todos os guitarristas se inspiravam naquele jovem magricela, tomando-o como base para seus estudos. Não é exagero afirmar que “Van Halen I” redefiniu todo o panorama musical da década seguinte, influenciando todos os grandes mestres do instrumento que viriam depois como Joe Satriani, Steve Vai, Zakk Wylde, e até mesmo músicos de fusion, como Frank Gambale e Scott Henderson. 

O disco vendeu mais de 10 milhões de cópias e colocou a banda definitivamente ao lado dos maiores nomes do rock mundial. Um clássico definitivo do estilo.


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Sobre o álbum

Van Halen

Álbum disponível na discografia de: Van Halen

Ano: 1978

Tipo: CD/LP

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