Resenha

On Her Journey To The Sun

Álbum de Gungfly

2017

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

08/10/2017



Um disco de excelente fluidez.

Se você tem uma boa relação com a banda sueca de rock progressivo, Beardfish, provavelmente já ouviu também o nome Rikard Sjoblom, pois bem, Gungfly é o nome de outro projeto dele e que em seu terceiro disco parece ter atingido seu melhor momento até então. Através de uma vanguarda na composição e performances progressivas o músico abraça o ouvinte em uma energia musical frenética de rock and roll, proeza líricas bem combinadas, órgãos vintage e sintetizadores em abundância. Um disco cheio de ganchos, belas melodias, guitarra, teclado, baixo e baterias sempre bem cadenciadas, muito groove, emotivo, mas tudo sendo executado de maneira tão precisa que em nenhum momento eles soam de forma pretensiosa ou exibicionista. Cada música flui tão perfeitamente que mesmo os momentos mais silenciosos, de alguma maneira são imprescindíveis no conjunto da obra.

O disco começa com “Of the Orb” em um arpejo de influência bastante em Genesis na era Hackett. Depois a música se constrói rapidamente em uma parede frenética de som por trás da voz de Sjoblom. A música permanece bastante firme em uma influência progressiva dos anos 70, excelentes harmonias de sintetizadores e guitarras alternando-se com ótimas passagens vocais. De certa forma um “defeito” é que não esperava também que ela fosse uma faixa tão representativa que não me fez ouvir nada de novo, digamos assim, no resto do álbum, o que não quer dizer, claro, que o resto seja dispensável, muito pelo contrário.

A segunda música é a faixa título, “On Her Journey to the Sun”. Segue com influência na música 70’s, tem swing e uma melodia pop onde baixo e bateria funcionam bem, criando uma boa cozinha rítmica. Ainda possui alguns vocais em falsete e grande trabalho de guitarra principalmente na sua parte final.

“He Held an Axe” é uma música extremamente bela. Dessa vez a voz é bastante apaixonada e própria sem que seja vista como reformulação de algum trabalho dos anos 70. As letras parecem ser bastante horripilantes. A faixa é baseada em uma passagem acústica e tomada por um tempo bem lento, se desenvolvendo gradualmente até que atinja um clímax a deixando mais bela ainda. Tudo de forma bastante introspectiva.

“My Hero” já começa de maneira bastante técnica e progressiva. Grande interação entre as guitarras e uma bateria poderosa. Traz uma sensação jazzística que lembra alguns dos estilos de Frank Zappa. É brilhante e alegre combinando bem com o estilo da Beardfish, embora seja sempre bom frisar que não se trata de uma cópia de si, mas algo com identidade própria.

“If You Fall (Pt.1)” tem uma introdução bonita ao piano e uma melodia suave de órgão. Um tanto melancólica e que acaba fazendo contraste com a faixa anterior. É curta, algo que também faz com que ausente uma mudança de ritmo. Apresenta um final de desvanecimento que como você vai poder perceber, adiciona ênfase à introdução da faixa seguinte.

“Polymixia” começa através de um funkeado. A faixa mais longa do álbum até o momento, tem várias camadas em cima da outra que se revelam sutilmente e que é possível distinguir muitas melodias e mudanças de tempo somente com algumas audições. Uma faixa que permitem que os músicos mostrem seus talentos instrumentais e o melhor de suas habilidades sem deixa-la gordurosa. Seu momento de destaque sem dúvida é uma “repetição” seguido por um solo de piano e guitarra em uma cadência do conjunto instrumental simplesmente viciante.

“Over My Eyes” é belíssima. Com participação de Rachel Hall da Big Big Train através do seu violino sempre requintado, a faixa possui a liderança através de um piano e um violão que flutua sobre ela como pássaros que voam sobre fazendas em um céu escuro a deixando muita imaginativa e emotiva.

“Old Demons Die Hard” é uma das minhas preferidas do álbum. Carrega uma sensação que remete entre o blues e o jazz além de uns trabalhos intrincados de guitarra ao estilo Steely Dan. Também possui uma ótima linha de baixo que a engrandece mais ainda.

“Keith (The Son Of Sun)” é mais uma faixa instrumental do album. Tem seu início através de um órgão antes de incorporar um tempo mais jazzy e um trabalho de guitarra ágil e ao msmo tempo suave. Uma música de cadencia extremamente deliciosa de se ouvir.

“The River Of Sadness” é sem dúvida alguma onde se encontra a maior abundância lírica e musical do álbum. Como aconteceu na primeira faixa, aqui o momento é extremamente enérgico e cheio de preenchimentos precisos por seus pouco mais de doze minutos de duração. Tudo flui de maneira perfeita, guitarra, bateria, baixo, teclado e vocais emotivos. Uma prova de que Rikard Sjöblom é um dos grandes arquitetos a não deixar o rock progressivo ruir,  muito pelo contrário, deixa-lo cada vez com seus alicerces mais firmes.

“All a Dream” finaliza o álbum como uma espécie de epílogo, uma reflexão silenciosa sobre tudo o que foi apresentado até aqui.

Ver um disco como On Her Journey to the Sun no ano de 2017  é um sinal de que todos podem não apenas se surpreender, mas seguramente, se agarrar a grandes expectativas para o futuro. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

On Her Journey To The Sun

Álbum disponível na discografia de: Gungfly

Ano: 2017

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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