Resenha

The Bridge of Light

Álbum de Apocalypse

2008

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

24/07/2019



Um dos melhores álbuns de rock progressivo do novo milênio!

O rock progressivo sempre esteve bem representado por bandas nacionais. grupos como Mutantes e O Terço já faziam sucesso ainda nos anos 70, o auge do estilo. 

Nos anos 90 o estilo foi renovado com o aparecimento de várias bandas e estilos derivados do progressivo tradicional como o neo progressivo e o prog metal, renovando e ampliando a sonoridade e angariando novos fãs pelo mundo.
Foi nessa época que os gaúchos do Apocalypse lançaram seu debut, mais precisamente em 1991 e de lá pra cá, o grupo capitaneado pelos irmãos Eloy e Ruy Fritschi, respectivamente tecladista e guitarrista, conseguiram com árduo esforço, consolidar o nome do grupo no cenário prog mundial.

Embora sempre tenha lançados álbuns de qualidade indiscutível, é certo que o grupo expandiu sua sonoridade com as mudanças de formação ocorridas no inicio dos anos 2005: O baixista e vocalista Chico Casara deixou o grupo sendo substituído pelo baixista Magoo Wise e pelo vocalista Gustavo Demarchi. 

Sem acumular funções, o baixo ganhou mais notoriedade no som da banda, deixando as bases mais firmes e precisas  e  Gustavo elevou o nível do agora quinteto, pois além de possuir uma voz versátil, que consegue timbres mais rasgados na linha do Paul Stanley (Kiss) como interpretações mais passionais, numas mistura homogênea entre Fish e Steve Hogart (Marillion),  consegue cantar muito bem em inglês, e ainda é hábil no uso da flauta transversal. 

Mas a grande mudança aqui pode ser ouvida nos arranjos. O grupo manteve a sonoridade progressiva característica de seus trabalhos, mas acrescentou boa dose de peso nas canções. E aqui vale uma menção especial ao trabalho do Guitarrista Ruy Fritschi, que usou extremo bom gosto e sensibilidade, sabendo dosar densidade e melodia o suficiente para que o grupo soasse mais pesado sem no entanto se transformar  em mais uma banda de prog metal, conseguindo uma sonoridade mais hard prog e mantendo  a identidade musical da banda.

Produzido pelo próprio grupo, “The Bridge Of Light” foi gravado ao vivo no teatro UCS em Caxias do Sul, terra natal do grupo em novembro de 2006, sendo totalmente composto por canções inéditas e divido em dois atos: o primeiro com canções compostas por temas individuais e  segundo uma obra conceitual, com  sete canções contando uma única história.

“Next revelation” abre a primeira parte do concerto, com destaque para as guitarras pesadas de Ruy na medida certa, acompanhado pelo suntuoso Hammond de Eloy.  Gustavo se mostra um vocalista bem desenvolvido e adapto ao palco;

“Dreamer” é cadenciada, se inicia calcada nos teclados sinfônicos de Eloy, que realmente comanda a música. A baixo bem timbrado de Wise deixa a base segura e Gustavo brilha nos vocais;

A canção “Ocean Soul” é a primeira a contar com a flauta transversal tocada pelo vocalista, que notadamente tem como principal influência a figura de Ian Anderson (Jethro Tull). Flautas e guitarras são disponibilizadas de maneira harmoniosa, com os teclados fazendo um bom contraponto para a entrada do vocal, com um belo trabalho de corais feito por todo o grupo;

“”Last Paradise”, é dividida em duas partes. Tem inicio com o violino elétrico do convidado Hique Gomez. Possui vários nuances e mudanças de andamento, com destaque para todo o grupo, que se mostra extremamente conexo no palco.. Na segunda parte mais lenta e passional, o destaque é mesmo Demarchi, que mostra saber utilizar vocais arrastados com maestria. Aqui as influências dos norte americanos do Kansas é bem evidente ; 

“The Dance of Down” é uma das composições mais complexas desta primeira parte. Possui uma flauta completamente calcada no Jethro Tull, mas com uma base jazzística e sincopada, com a cozinha de Fasoli / Wise tocando com uma precisão absurda, amparado pelos inúmeros teclados e sintetizadores de Eloy. Gustavo se destaca no alcance vocal e na entrega com que interpreta o tema, chegando a emocionar o ouvinte;

A primeira parte se encerra com “Meet Me”, uma canção midi tempo com destaque inicial para o baixão de Magoo, amparando os vocais mais graves de Gustavo. 

A segunda parte da apresentação abrange sete músicas formando uma longa suíte conceitual contando um dia na vida do pequeno órfão Jimmy e seu inseparável amigo Z14 e suas aventuras em um velho parque abandonado, onde procuram respostas existenciais;

O convidado Hique Gomes inicia “Wake Up Call” amparado pela guitarra progressiva de Ruy, como solos melódicos que nos remetem ao Pink Floyd. Uma introdução para a história que vem a seguir;


“...To Madeleine” vem a seguir com sua abertura apoteótica, com a guitarra de Ruy a frente do tema, com belos contrapontos de teclados e mudanças de andamento para entrada dos vocais. Essa canção poderia fazer parte de qualquer disco do Pendragon;

“Escape” é um hard prog, com guitarras pesadas duelando com hammonds ferventes e o vocal dinâmico de Demarchi cantando a fuga de Jimmy: “Oh menino / Estou correndo por entre as sombras / ele está piscando suas luzes...”;

“Welcome Outside” começa de maneira sincopada, calcada na bateria de Chico Fasoli. A guitarra pesada e os teclados hard logo aparecem preenchendo o tema para a entrada dos vocais de Gustavo. Aqui parece que o garoto Jimmy começa a perceber que as respostas que tanto busca para suas perguntas existenciais podem estar dentro de sua própria mente;

A canção “Meeting Mr. EarthCrubbs” tem seu inicio calcado no baixo e flauta, com enorme influência de Jethro Tull. Seu clima arrastado, impregnado por hammonds, teclados e a voz rasgada de Demarchi. Uma das canções mais complexas do álbum;

O ápice da história aparece em “Follow The Bridge”, um tema com várias nuances de andamento, idealizado para demonstrar a revelação da verdade a Jimmy, a descoberta de seus poderes e a travessia na ponte de luz. Há passagens mais tranqüilas e jazzísticas, com baixo e bateria característicos do estilo e piano elétrico ao fundo, para subitamente cederem lugar ao andamento dinâmico  com vocais  intensos de Demarchi. Excelente canção;

“Not Like You”  encerra o álbum de maneira melancólica, com belos violões e violino fazendo base para os vocais passionais de Gustavo encerrarem a história, que diga-se de passagem não revela todo seu conteúdo, deixando espaço para o ouvinte tirar suas próprias conclusões;

“The Bridge Of Light” foi lançado em 2009 e com certeza é um divisor de águas na carreira do grupo, pois embora este seja o segundo disco ao vivo com esta formação é o primeiro de inéditas  totalmente  cantado em inglês, e ainda com a segunda parte totalmente conceitual. A sonoridade relativamente mais pesada funcionou muito bem, assim como os novos integrantes. Considero um clássico do rock progressivo nacional e seguramente um dos álbuns de rock progressivo que mais ouço.

Você pode adquirir o álbum no site oficial do grupo: apocalypseband.com


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Sobre o álbum

The Bridge of Light

Álbum disponível na discografia de: Apocalypse

Ano: 2008

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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