Resenha

Seventh Son Of A Seventh Son

Álbum de Iron Maiden

1988

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

22/06/2019



O sétimo álbum

"Seven deadly sins, seven ways to win. Seven holy paths to hell... And your trips begins".

Adrian Smith e Bruce Dickinson.

O Iron Maiden era gigante em 1988, após discos vendidos em demasia, turnês de sucesso, hits - mesmo que fora das rádios -, vídeos na MTV, álbuns ao vivo e uma gama intensa de outros fatores. Eles vieram com tudo, para fechar uma era fabulosa e inteiramente imponente.

"Seventh Son of a Seventh a Seventh Son", nasce de uma ideia conceitual, em que a temática transita pelo conteúdo do sétimo filho do sétimo filho que, o mesmo com poderes sobrenaturais, seria ainda uma criança, enviada à Terra sendo representante entre o bem e o mal. Em geral, como um todo, as letras apresentam uma forte ligação entre visões proféticas, reencarnações, questões filosóficas e misticismo. O idealismo lírico do disco antecessor, se faz presenta nessa obra, mas aqui mais profundamente, e o interessante que desta feita, Bruce Dickinson que havia se afastado em compor, nessa fase veio com ótimas canções. Mas não somente ele, como Steve Harris, que participou de quase todas elas, além de cuidar dos sintetizadores também e não somente do baixo.

Musicalmente falando, o Iron Maiden se superou nesse álbum. Adrian Smith optou por manter sua guitarra com efeitos sintetizados, assim como Harris em seu baixo. A gama de teclados se faz bem evolutiva nesse período, dando um ar épico, clássico e metal, mas com ponderações visíveis e que de forma alguma deixam desejar dentro do proposto pela banda e produção. Ainda na questão de produção, Martin Birch novamente mostra porque era um profissional de primeira linhagem, pois conseguiu extrair o mesmo do contexto forte e totalmente bem elaborado das letras; assim como no som também. Martin foi operador de fita, trabalhou na mixagem final e também com a engenharia do álbum. "7th Son" foi gravado na Alemanha entre 1987 e 1988, chegando ao mercado mundial em março e com o peso da divulgação da EMI. 

Como sempre, Derek Riggs cuidou da face de Eddie "The Head", o mascote das artes do Maiden; novamente, sem cabelos longos e com o cordão umbilical entre suas costelas e que envolve o feto, o "Sétimo Filho", até em sua garra. Ao redor, luzes ambulantes, em uma localidade mais parecida com a Antártida, traz alguns detalhes, tanto na parte frontal como traseira da mesma, remetendo em um ar bem profético e até mesmo um sólido dos "Finais dos Tempos" - apocalíptico, mesmo de fato.

Esse foi o segundo disco do Maiden a despontar totalmente em um elevado sucesso nas paradas inglesas - no absoluto mesmo. A receptividade foi tomada por um entusiamo enorme e que gerou críticas e o apego ainda maior dos fãs do grupo. Algumas das inúmeras resenhas em revistas francesas, brasileiras e até mesmo americanas, afirmavam de forma única, que o Maiden trazia uma aglomerado musical mais bem cuidado e que remetia também aos tempos passados de bandas setentistas, como Yes e Genesis. Nesse momento, foi também a participação do grupo como Headliner de um dos dias do Monsters of Rock de 1988, tocando ao lado de KISS, Megadeth, Helloween entre tantas outras bandas importantes; logicamente, naquele momento o Maiden era muito maior!

Em "7th Son", o Maiden chegou trazendo técnicas apuradas, com cada músico em seu instrumento, eles todos inovaram em todo o sentido musical e os arranjos foram bem determinados. A dupla impecável Murray/Smith, abusou em bom sentido, das terças, quintas, oitavas e solos muito além do esperado pelos fãs; aqui a interação chegou em um nível muito conciso, extremamente bem cuidado e com detalhes que fizeram a diferença total. Nicko remodelou sua forma, a técnica evoluiu juntamente com as cordas, e suas incursões foram minuciosas - ouçam nos fones -, aliando ainda mais os graves, médios entre os sons de pratos, juntamente com a marcação ultra-musical e galopante de Harris. Dickinson, nesse momento, com um vocal mais forte - grave e médio - mas com entonações fortes e uma interpretação demasiadamente imposta e sentida em cada nota emitida pelo mesmo. Se outrora Bruce gritava aos pulmões em agudos, aqui ele fazia com drives e modelava sua voz para obter o impacto exorbitante do álbum. Uma banda coesa e completa. 

Enfim, o álbum marcou e marca uma fase dourada do grupo, assim, cada canção aqui tem sua importância. Desde o começo do disco, com os violões e a entrada poderosa de "Moonchild", esta frenética, acelerada e muito concisa, que em seguida nos brinda com "Infinite Dreams" - essa chega a lembra o estilo de "Revelations" -, mas aqui dominada por teclados e vocalizações mais evolutivas. O épico está presente, "Seventh Son of a Seventh Son", a faixa-título, vem sombria, altamente bem elevada em vocais de tirar o fôlego - literalmente - e com solos de guitarras seguidos e fortemente compreendidos em uma mistura de técnica com melodias belíssimas. "The Evil That Man Do", nascida clássica, de bom tom não deixa dúvida de que um hit ainda era algo fácil para o Maiden, mesmo após tantos outros do passado. "Can I Play with Madness", com direito a vídeo clipe, é um misto de hard e metal, com um refrão grudento e que não deixa o nível cair; sem pecado algum. Um fator curioso, essa canção seria acústica, mas a intervenção de Dickinson trouxe uma mudança bem significativa para o direcionamento da mesma. "The Profecy", que dá segmento à história do álbum, que também teve base em obras de Aleister Crowley, sendo especificamente em um dos livros do mesmo - fato esse elaborado por Dickinson -, vem cadenciada, com arranjos andamentos variados e um final supremo com as cordas se sobressaindo por sob as guitarras pesadas. E mais hits: "The Clavoryant", que viria ser um single também e um vídeo ao vivo de Donnington com a música original por cima na masterização final, "Only The Good Die Young" também chegou clássica, para entoar o final monstruosamente, e totalmente acima de tudo, remetendo a um "fim de era", propriamente dito; entre batidas frenéticas de Nicko, com os riffs e solos, rugindo em fúria. 

Para muitos - inclusive este que vos escreve - seria o último álbum clássico da banda.

Up The Irons!


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Seventh Son Of A Seventh Son

Álbum disponível na discografia de: Iron Maiden

Ano: 1988

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,77 - 28 votos

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