Resenha

One Second

Álbum de Paradise Lost

1997

CD/LP

Por: Tarcisio Lucas

Colaborador

18/06/2019



Menos Doom, mais Gothic, e a mesma essência!

Enquanto algumas bandas resistem firmes e imutáveis aos estilos que escolheram, já outras optam por passearem por várias e diferentes paragens sonoras ao longo de sua discografia. Certamente, podemos enquadrar o Paradise Lost nesse segundo conjunto.
Ainda que os últimos anos tenham visto um conjunto buscando o peso, agressividade e a densidade dos primeiros lançamentos, toda a discografia do grupo atesta esse espírito inquieto dos músicos do Paradise Lost.

E, dentre todas as paisagens sonoras exploradas pela banda, nenhuma foi tão radical, controversa e diversificada do que a apresentada nesse disco aqui, intitulado "One Second".

Para alguém que conheça o conjunto, mas não esse disco, aqui vai uma breve descrição: Imagine que os músicos deixaram de lado a densidade e o peso que consagraram em "Draconian Times" (o registro anterior), mas ainda assim mantiveram a melancolia e profundidade de composição, mas decidiram abraçar fortemente muitos elementos do rock gótico dos anos 80, com uma certa ênfase à algumas batidas eletrônicas (ou similares) que remetiam à bandas como Sisters of Mercy, e mais ainda a banda Depeche Mode. Aliás, podemos dizer que o disco é um tributo velado ao Depeche Mode. E isso não deve ser visto como uma crítica não. O disco é bom, muito bom, considerando a proposta escolhida.
Apesar da mudança drástica de direcionamento, todas as composições mantêm um nível de qualidade altíssimo, mesmo apostando em uma estética bem diferente de seu predecessor.
Como dito anteriormente, esse disco é bem menos doom, e bem mais gothic. Parece um disco perdido da década de 80. Não há vocais rasgados e guturais aqui, ainda que o mesmo se mantenha soturno.
Interessante notar que muitas musicas, como "Say Just Words" e "Blood of Another" adiantaram em alguns anos aquela sonoridade que faria sucesso na virada do milênio, com bandas como HIM, Entwine, To/Die/For e Lacrimas profundere. Realmente, o Paradise Lost sempre foi uma banda de vanguarda, em todas as suas frentes.
Na parte instrumental, houve uma diminuição significativa da densidade sonora. As guitarras ainda são abundantes, pesadas, e se fazem presentes em 90% do disco, mas nada comparado ao que ouvimos em um "Gothic" ou o já citado "Draconian Times". Os vocais deixam a rispidez de lado e apostam na melancolia, criando um timbre misto e curioso, que mais parece uma versão dark anos 80 do James Hetfield do Metallica, atingindo excelentes resultados, passando muita emoção e tristeza ao longo do disco.

Mas os maiores diferencias do disco são, sem duvida, o uso do teclado e de algumas bases e sons eletrônicos. Nada comparado ao que o Theatre of Tragedy fez nos discos Asemble e Musique, que fique claro (mesmo porque o TOT alcançou resultados interessantes também, mas essa é uma outra história que contarei em uma outra oportunidade). Gregor Mackintosh , guitarrista da banda, havia comprado um teclado , e se encantado com as possibilidades que o instrumento trazia para a musica sombria e melancolica da banda. Os outros membros concordaram, e o resultado foi esse excelente disco.

Logicamente, uma parcela dos fãs mais tradicionais da banda torceriam o nariz, e a reação na época do lançamento foi bastante controversa, indo do amor incondicional (como esse que vos escreve) ao sentimento de traição (por parte dos fãs mais tradicionais).
No entanto, a passagem do tempo foi generosa ao colocar esse disco em perspectiva, e poucos anos depois desse lançamento ele já era considerado um marco dentro da história do grupo, para o bem ou para o mal.
Até hoje os integrantes da banda falam com orgulho das composições apresentadas aqui, e com toda a razão. 
Trata-se de um disco honesto, ousado, simples, bem tocado, bem produzido, com conceitos bem trabalhados, letras interessantíssimas.
Recomendo enormemente, seja você um fã do Doom metal mais tradicional ou de paragens mais obscuras como o rock gótico dos anos 80, de Depeche Mode, Clan of Xymox e Sisters of mercy.

Vida longa aos pais do Gothic Metal!


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Sobre Tarcisio Lucas

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Sobre o álbum

One Second

Álbum disponível na discografia de: Paradise Lost

Ano: 1997

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,33 - 3 votos

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