Resenha

Ghostlights

Álbum de Avantasia

2016

CD/LP

Por: Vitor Sobreira

Colaborador

25/05/2019



Participações inusitadas em um trabalho muito bom

O que era um pomposo projeto paralelo do músico alemão Tobias Sammet no inicio dos anos 2000, com o passar do tempo acabou se tornando de fato a sua banda principal. Após lançar seis álbuns com o Edguy – à época, um nome já conhecido no cenário mundial –, Tobias lançou em julho de 2001 o debut do Avantasia, ‘The Metal Opera’. Dois meses depois, o sexto disco do Edguy, ‘Mandrake.’ também chegava às lojas. Verdade seja dita, lá se vão quase 20 anos de Avantasia e oito full length liberados (fora os singles, EPs e demais materiais) e a criatividade do alemão não demonstra desgastes!

Lançado em 29 de janeiro de 2016, pela Nuclear Blast, o sétimo álbum ‘Ghostlights’ apresenta doze composições em uma hora e dez minutos, uma ótima qualidade de produção e gravação, e também convidados inusitados, como Marco Hietala (Nightwish, Tarot) e as lendas do Hard’n’Heavy Dee Snider (ex-Twisted Sister) e Geoff Tate (ex-Queensrÿche), ao lado de figuras conhecidas ao Avantasia, como Jorn Lande, Michael Kiske e Bob Catley.

Para a arte de capa, foi convocado novamente Thomas Ewerhard (After Forever, Brainstorm, Edguy, entre várias outras), que trouxe junto aquela espécie de mascote presente em outros álbuns – nada mais do que um esqueleto usando uma cartola. Ainda visualmente falando, foram produzidos quatro vídeos (dois clipes e dois lyric) para os singles “Draconian Love”, “Ghostlights” e “Mystery of a Blood Red Rose” – esta última, além de ter ganhado uma versão de cada formato citado à cima, foi a escolhida para abrir o trabalho. Ainda sobre a mesma, o ouvinte esporádico da banda percebe a diversidade e a evolução da sonoridade ao decorrer dos anos, mas é inevitável o seu teor de acessibilidade e tendência ao comercial…

Nos aprofundando no track list, na sequencia vem “Let the Storm Descend Upon You”, e os convidados já começando a dar o ar da graça, com o inconfundível Jorn Lande sendo acompanhado por Robert Mason (Warrant – aquela famosa banda de Hard mesmo!) e Ronnie Atkins (Pretty Maids, Nordic Union), mostrando interessantes momentos mais pesados e elegantes em seus longos doze minutos. A cada música que está para chegar, vamos ficando ansiosos para ouvir cada um dos convidados e com a emocional “The Haunting” não poderia ficar por menos, apresentando um sombrio Dee Snider. Em seguida, outra surpresa: A mão pesa quase que majestosamente com “Seduction of Decay”, trazendo o agradável vocal de Geoff Tate, que educadamente fez de Tobias um mero coadjuvante neste ato – mesmo esse igualmente tendo se saindo bem, obviamente.

Você não precisa conhecer a discografia da banda pra saber que quando uma bateria veloz (de Felix Bohnke, diga-se) rasga os céus como um trovão e um escorregadio solo de guitarra (aqui, cortesia de Oliver Hartmann) o faz companhia, pra saber que Michael Kiske vem chegando na área, trazendo consigo o norueguês Jorn para a faixa título – preste atenção no seu refrão macio.

Eu me lembro de quando saiu o vídeo de “Draconian Love”, bem como estranhei Herbie Langhans cantando totalmente diferente de como conheci seu vocal no excelente Sinbreed. Impostando mais a sua voz, a deixando suavemente grave, além do título, esse fato contribuiu para o clima Gothic de uma das melhores  composições aqui. O clima misterioso paira novamente no ar através de um dedilhado arrepiante, que prepara o caminho para a pegada pesada de um Heavy Metal moderno comandado por Marco Hietala – outro convidado que havia me deixado bastante curioso – em “Master of the Pendulum”. Com as devidas alterações, creio que essa poderia ser o tipo de composição facilmente encontrado em algum álbum do Tarot.

Within Temptation pode nunca ter chamado tanto a minha atenção, mas confesso que a voz de Sharon den Adel é muito bonita e se encaixa bem nessa empreitada do nosso amigo Tobias. Em ‘Ghostlights’ ela acompanhou seu anfitrião na suave “Isle of Evermore”. Entretanto esse estado de conforto dura pouco e logo temos a animada “Babylon Vampyres” trazendo novamente Robert Mason, além do guitarrista Bruce Kulick –  que magistralmente foi o guardião das seis cordas no Kiss por mais de 10 anos. Vale lembrar, que o músico estadunidense já havia participado dos três álbuns anteriores a este. Aqui, também esbanja sua técnica em “Lucifer” e “A Restless Heart and Obsidian Skies”.

Emotivas notas de piano e um arranjo orquestrado quebram o silêncio em “Lucifer”, com Aaron Blackwell (Tobias) e Temptation (Jorn) dividindo amistosamente os vocais – amparados por um forte instrumental. Entretanto, os últimos instantes não tardam a chegar, e também encerrando suas participações estão Kiske e Atkins no Metal poderoso e tradicional de “Unchain the Light”. O ponto final fica por conta de “A Restless Heart and Obsidian Skies”, com outra voz marcante, a de Bob Catley (Magnum, solo), que desde o segundo álbum abrilhanta o som do Avantasia. Ao contrário da abertura, essa composição foi realmente feita para o (épico) encerramento, de um dos marcos da banda.

Acredito, pelo menos,  que Tobias Sammet nunca quis provar nada a ninguém e não vai ser agora que o precisará fazer. Pode ser um pouco tarde para escrever isso, mas nunca restou dúvidas que o Avantasia, desde o início, foi muito mais do que um mero projeto… Veio realmente pra ficar e merece receber os aplausos de seus expectadores!


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Sobre o álbum

Ghostlights

Álbum disponível na discografia de: Avantasia

Ano: 2016

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 4 votos

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