Resenha

There’s The Rub

Álbum de Wishbone Ash

1974

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

27/04/2019



Novas influências na massa sonora do grupo

Em 1974 o Wishbone Ash já havia conseguido se destacar no cenário musical mundial, estando entre o primeiro time do rock inglês e tendo lançado clássicos como “Argus” e “Wishbone four”. Mas, como nem tudo são flores, naquele mesmo ano o guitarrista Ted Turner resolve deixar o mundo da música para realizar um antigo sonho de viajar pelo mundo (mais riponga impossível). Surpresos com a decisão do colega e prestes a gravar um novo trabalho o grupo não tem alternativa senão seguir em frente e recrutar um novo guitarrista.

Porém, no caso do Wishbone Ash, esta não seria uma tarefa fácil principalmente porque o som do grupo era completamente calcado em cima da dupla de guitarristas da banda, que inovaram ao criarem o estilo denominado Twin guitars, as guitarras gêmeas, onde mais do que ser uma dupla de guitarristas, o músicos com estilos distintos se completavam  com uma integração quase telepática. Por tal motivo, não era tarefa fácil arrumar um novo parceiro para Andy Powell

Dentre as poucas possibilidades, escolheram o jovem Laurie Wisefield, de apenas 21 anos, com nome consolidado no cenário inglês, tendo integrado o grupo de rock progressivo “Home”, de onde também sairia o baixista Cliff Williams, futuro AC/DC. Na época, os demais músicos do grupo não faziam ideia de que Wisifield seria peça importante  na direção criativa da banda pela próxima década.

O estilo de Laurie era diferente do de Turner. Enquanto este último tinha um estilo mais bluesy, o novo integrante possuía uma veia mais melódica e porque não dizer, comercial. Obviamente essa diferença afetaria consideravelmente na sonoridade da banda, que juntamente com seu novo integrante partiu para os EUA, mais especificamente em Miami (Flórida), onde começou a gravar novo material no Criteria Recording Studio.

produzido por Bill Szymczyk, o titulo do álbum, “There's the Rub”, foi pego de uma frase do livro "Hamlet", de Shakespeare. Musicalmente a banda se apresentava mais direta, coesa e acessível, com adição de novas influências. 

O petardo se inicia com a bela "Silver Shoes", mostrando que a banda continuava plenamente integrada e que o sangue novo de Wisefield tinha sido benéfico para grupo, imprimindo uma dose extra de lirismo nas canções e mantendo o lado progressivo que os fãs tanto apreciavam;

"Don't Come Back" é um tema dinâmico, comas guitarras gêmeas trabalhando em uníssono. Os vocais rasgados e os solos energéticos, completam a música de forma perfeita. Esta é uma das canções mais pesadas do álbum;

Temos em "Persephone", uma belíssima balada que viria a se tornar um dos grandes sucessos do grupo. Com seu ritmo cadenciado e belo jogo de vocais. A participação especial de Albhy Galuten nos pianos e sintetizadores deixou o tema mais estruturado e passional. Vale mencionar ainda o belíssimo trabalho de guitarras da dupla;

O disco segue com "Hometown" uma canção mais hard e direta, novamente com um trabalho vocal primoroso e uma base plenamente sincronizada e eficiente. Mais uma vez o grupo mostra que fez a escolha certa, pois Powell e Wisifield parecem que estão tocando juntos desde a maternidade;

"Lady Jay" tem sua letra baseada na lenda popular de Dartmoor sobre Kitty Jay. Tem forte influência de música folk, principalmente nos violões e banjo utilizados como base, fazendo um interessante contraponto com as guitarras dedilhadas e o baixo bem timbrado; 

"F.U.B.B." uma suíte de nove minutos encerra o disco causou polêmica por causa do significado da sigla ("Fucked Up Beyond Belief") após o lançamento do álbum. A faixa se inicia com o baixão grave de Martin marcando o ritmo e se destacando em todo o tema. Aqui o grupo recebeu uma ajuda rítmica de Nelson Flaco, responsável pelas congas. Interessante, como as guitarras vão aos poucos, tomando conta do tema, se envolvendo paulatinamente com a base segura da dupla Turner/Upton. Um tema que apesar de cadenciado, possui varias nuances em seu andamento, encerrando o álbum de forma perfeita. 

“There's the Rub” foi lançado em novembro de 1974, sua capa diferente mostrava um jogador de Cricket esfregando a bola em sua calça, (uma prática comum entre eles para que ela deslize e vibre no ar tornando mais difícil a pegada do rebatetor). 
Embora muitos considerem “Argus” o ponto alto do grupo, é notório que este trabalho pode ser considerado tão clássico quanto qualquer um dos quatro primeiros trabalhos lançados pela formação original. 
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Sobre o álbum

There’s The Rub

Álbum disponível na discografia de: Wishbone Ash

Ano: 1974

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,62 - 4 votos

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