Resenha

Köhntarkösz

Álbum de Magma

1974

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

02/04/2019



Bem composto, gravado e essencial para o movimento Zeuhl

Se eu chegar aqui e comentar que Köhntarkösz é um disco que soa bastante sobrenatural, não acho que vai ser uma grande novidade, afinal, falamos do Magma e esse tipo de som na banda é algo comum. Algo óbvio também é o fato de que não estamos falando de músicas que todo mundo capta logo na primeira audição, muito pelo contrário, eu mesmo fiquei fã da banda depois de ouvir seus álbuns algumas vezes. 

“Köhntarkösz (Part One)” abre o disco através de uma inusitada (mesmo para uma banda como o Magma) sonoridade espacial que me lembra de certa forma o Pink Floyd, mas o verdadeiro negócio vem depois de alguns minutos, quando o órgão começa a adicionar uma seção incrivelmente assombrosa como se fosse um tema para um filme épico na veia de Ben Hur, o coro masculino misturando-se com as vozes femininas bastante assustadoras criam uma atmosfera aterrorizante que mantém o ouvinte à espera de uma explosão sonora que nunca acontece. De fato, a faixa continua ficando ainda mais complexa com inesperadas interrupções de piano que, em vez de trazer calma, contribuem para o caos mágico tão característico da banda. Mesmo quando não há mudanças dramáticas, a colisão de estilos acontece tão gradualmente que parece natural e não forçada, soando simplesmente brilhante e nada mais. 

“Ork Alarm" inicialmente já nos atinge com um belo coral semi-gregoriano na veia de 666 de Aphrodite’s Child, as passagens incomuns de violino são absolutamente assustadoras e depois delas tudo começa de novo, enfim, absolutamente brilhante.

“Köhntarkösz (Part Two)” apresenta uma mudança radical em relação à primeira parte, os refrãos são relaxantes e suaves, algumas passagens jazzísticas aparecem do nada, a atmosfera assustadora é mantida pelas teclas e uma bateria suave, desta vez a sonoridade é menos claustrofóbica. Por volta do seu quinto minuto a música fica mais rápida e explosiva com um refrão repetitivo e desesperado que cresce tanto em volume quanto em velocidade até que ele entra em uma seção jazzy absolutamente dissonante e que nenhuma banda de música vanguardista poderia botar defeito. Mas mesmo que o jazz ou avant não seja a música preferida do ouvinte, nada impede que ele ame tudo isso, afinal, é fabuloso, é como ficar preso em um espaço fechado, mas aproveitando esse medo. Essa seção caótica continua aumentando e, em seguida, em um momento indeterminado e sem motivo, começa a desvanecer-se, simplesmente bela, elaborada e perfeitamente estruturada, uma verdadeira aula do mais puro Rock Progressivo em sua faceta mais complexa.

“Coltrane Sündïa” é a faixa que fecha o disco, significa descanse em paz Coltrane, e obviamente é uma homenagem ao lendário saxofonista estadunidense John Coltrane. Trata-se de uma linda e requintada performance de piano, que parece um pouco estranha neste álbum, porque colide com o som quase paranoico e claramente místico das demais faixas. Mas de qualquer forma serve como um momento de relaxamento depois de todas essas músicas “estranhas” e difícil absorção. 

Apesar de ser um disco de momentos grandiosos, ainda acho que poderia ter mais variações, porém, o considero um pouco repetitivo mesmo quando imprevisível (se você ouvir o álbum, esta frase não soará contraditória quanto parece). De qualquer forma, uma obra sólida e nada fácil de ouvir, digamos assim, como todo bom disco do Magma tem que ser. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Köhntarkösz

Álbum disponível na discografia de: Magma

Ano: 1974

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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